XXVI CBBD: relato de aluno BiblioUCS

A seguir, apresentamos o relato de Douglas Lenon da Silva, aluno do 4º período do curso de Biblioteconomia EaD UCS, sobre a experiência no XXVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (XXVI CBBD).

“Bom, primeiramente o XXVI CBBD (Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação) que ocorreu entre os dias 21 e 24 de julho de 2015 na cidade de São Paulo foi o meu primeiro. Confesso que criei expectativas demais para algumas coisas e expectativa de menos para outras e, sim, acabei me surpreendendo e me decepcionando, o que é natural.

Douglas e Zaira Zafalon - CBBD 2015

Douglas Lenon e Zaira Zafalon

A perspectiva de mudança, de quebrar as paredes das bibliotecas e pensar no bibliotecário fora das bibliotecas, foram temas de mais de 50% das conferências e dos trabalhos (que eu visitei). De cara, a primeira mesa redonda intitulada “Bibliotecas e inovação” apresentada por David Lankes (EUA) e pela Profa. Dra. Elisa Delifini Correa (UDESC) me deixou deslumbrado! Está mais do que na hora de pararmos de desenvolver coleções e começarmos a desenvolver conexões (uma citação de Lankes que foi citada em muitos trabalhos) e de acordo com Elisa, hoje não temos mais usuários, temos interagentes. Divido com ela o mesmo pensamento, usuário sempre deu a sensação de ser apenas o cidadão que faz o uso do material e não participa de nada. Hoje temos mais do que usuários, temos o cidadão que interage com a unidade de informação, que sugere, que inova… enfim, é autoexplicativo.

Outra conferência que me chamou muito atenção foi a da Profa. Dra. Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (USP) e Cristiana Gonzalez (que não compareceu, mas que deu tudo certo da mesma maneira), denominada “Restrições à lei de Direitos Autorais: impacto no cotidiano das bibliotecas brasileiras”. Temos uma das Leis de Direitos Autorais mais restritas do mundo! Somos um país que queremos tanto inovar, educar, profissionalizar, mas criamos barreiras para isso todos os dias. Um ponto que me chamou muito atenção foi o tópico “com o que realmente estamos preocupados? Com o direito moral do autor ou com o o direito dos titulares (direito patrimonial)?”. Sabemos que muitas obras hoje em dia não são mais comercializadas porque o autor simplesmente não quis mais ou acabou falecendo. Este é um problema enorme em todas as áreas, vejo isso na nossa área, os livros acerca da catalogação escritos por Elaine Mey, por exemplo. Eu gostaria muito de comprar, mas não encontro e quando encontro vejo um preço exorbitante. Introdução a teoria da classificação de M. Piedade, é outro problema.

Na mesa redonda de Jorge Larrosa Bondia (Universidade de Barcelona) e Carla Mauch intitulada “Construindo Espaços Acessíveis” foi grandiosa a experiência e toda a palestra fornecida. Até que pontos somos realmente acessíveis? Quando se fala em espaços, também deve se pensar em pessoas, que as pessoas também precisam de acessibilidade e que algumas possuem necessidades especiais de aprendizado ou de entendimento. Confesso que fiquei emocionado quando ouvi a Carla dizendo: o debate acerca das pessoas com deficiência NÃO DEVE ser um etcetera. E não deve mesmo! Nenhum grupo de pessoas é o que sobrou. A leitura deve atender a TODOS! Outro ponto interessantíssimo: se fala muito de inclusão, mas não se inclui nada, nem ninguém. Se tratando do espaço como acesso: se a biblioteca é pra todos, como fazer todos chegarem até a biblioteca? E outra: estamos preparados para atender todos? Temos material para todos? Em outras palavras, foi apaixonante e enriquecedor, porque além de futuro bibliotecário, também cresço como pessoa…

Me perdoem a falta de memória e acabei não anotando o nome de um trabalho que assisti, mas existia uma definição no slide do apresentador que dizia: Bibliotecas: testemunhas dos valores e mentalidades de uma sociedade. E acredito que nenhum dicionário no mundo tenha essa definição.

Alunos Biblio UCS CBBD2015

Alunos BiblioUCS: Rodolpho Lorenzi, Vanessa Biff, Patricia Suzin, Douglas Lenon e Clarissa Silveira

Por fim, e para que não tenha que me estender demais sobre os detalhes, assisti a mesa redonda “O ensino, a pesquisa e o mercado de trabalho” representada pelo Prof. Dr. Oswaldo Francisco de Almeida Júnior (UNESP), Profa. Dra. Mariza Russo (UFRJ), Profa. Dra. Isa Maria Freire (UFPB) e Cristiane Camizão Rokicki (SENAC) que muito falou sobre o EAD. Professor Oswaldo disse que o EAD hoje em dia pode alcançar uma completeza maior que os cursos presenciais de biblioteconomia, por exemplo. Professora Mariza Russo acabou se equivocando quando disse que o curso de biblioteconomia, módulo EAD, da UCS tinha “parece que” dois bibliotecários. Também vi o trabalho que ela apresentou posteriormente e fiz um questionamento. Perguntei qual era a diferença do plano curricular que a UAB (Universidade Aberta do Brasil) do plano curricular da UCS. Bom, a resposta foi com todas as letras: não sei te responder. Tudo bem, não desanimamos, convidei a professora a conhecer a universidade e entrar em contato com o coordenador do curso (até porque quanto mais gente souber da existência, melhor!)

De forma geral, o evento teve alguns contratempos e algumas mudanças repentinas que foram infelizes. Acabaram adiantando duas palestras sem aviso prévio e pior: uma delas eu queria muito ter visto. Problemas que acontecem e não podemos julgar um evento no todo por conta de algumas falhas. Por outro lado, incentivo à todos! Se tiverem a oportunidade tentem se organizar para o XXVII CBBD que acontecerá em 2017, ainda não se sabe qual será a cidade, mas se organizem, é um evento épico! A troca de experiência, e a forma de pensar e de ver a biblioteconomia muda a cada conferência, a cada visita que faz em um trabalho que está sendo apresentado. Não se tornem o tipo de pessoa que só quer o diploma, busquem ser inovadores, mostrem que existe biblioteconomia além das bibliotecas.”

Agradecemos o Douglas pela partilha de seu relato e com isso incentivamos todos os alunos e professores a contribuírem com artigos para o blog do curso.

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Nota

Divulgação de oficina: Experiência em leitura inclusiva (Porto Alegre)

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Utilizando-se do livro em texto e em Braille, “Um Ipê para Manuela“, a oficina é um convite à leitura e mais do que isso, é um repensar o conceito de leitura, revisitando-o e ampliando-o de maneira significativa. Todos os participantes são convidados a conhecer a obra e a analisá-la em seus elementos. Os presentes tem suas percepções mediadas, no primeiro momento em que passam a repensar o que pode ser “leitura”.

A obra também é apresentada em língua de sinais, audiolivro e audiodescrição. Em determinado momento os participantes são convidados a vendar os olhos e viver essa nova experiência de leitura…

Data: 24/04/2015
Horário: 13h30min às 18h30min
Local: Salão Mourisco da Biblioteca Pública do RS (Rua Riachuelo, 1190 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
Público alvo: professores, estudantes, interessados em trabalhar leitura para pessoas com deficiências visuais ou auditivas.

Inscrições gratuitas, limitadas até 60 pessoas.
Informações e inscrições: (51) 3225-9426 ou pelo e-mail: bpe.administracao@via-rs.net
Será fornecido certificado de participação.

Publicação originalmente de: http://arb.org.br/2015/04/oficina-de-experiencia-em-leitura/

Divulgação de estágio – Porto Alegre/RS

Vaga para Estágio em Biblioteconomia na Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO

Endereço: Rua Gonçalves Dias, 570 / Porto Alegre

Horário: A combinar

Bolsa Auxílio: FDRH A partir do 2º Semestre de curso

Principais atividades a serem desenvolvidas:
– Auxílio no preparo das obras para empréstimo (carimbo, etiqueta, etc.);
– Auxílio na organização dos materiais nas estantes;
– Auxílio na circulação das obras (empréstimo, devolução e renovação);
– Atendimento ao público.


Interessados entrar em contato por e-mail:
marioni-silva@fepagro.rs.gov.br